Sobre: Minecraft e lip fillers

outubro 27, 2019

Bem vindos a mais um "sobre", onde a inspiração deriva de todos os episódios de Friends começarem com "aquele onde...".
Neste "sobre" vou falar de pressão estética mas de um ângulo que julgo diferente. Não sei se já ouviram falar de harmonização facial, mas em lipfillers quase de certeza que sim, não fosse a Kylie Jenner o ícone de toda uma geração de beleza.


Passando os olhos pela diagonal neste livro, basicamente com a ajuda do ácido hialurónico molda-se a cara, ou os lábios para modificar de forma subtil (ou não) os traços da cara. É incrível o que o levantar de uma sobrancelha pode equilibrar num rosto, o meu problema não é esse...é que as pessoas começaram a ejetar ácido hialurónico e agora parecem todas personagens saídas do minecraft.
Todos os dias mais uma vitima sucumbe a esta massificação de beleza, jurando perder para sempre  (estou a ser dramática, só dura de 6 a 12 meses) os seus traços característicos, para se juntar a um rebanho de Kims Kardashians. Porquê? Porque é que ficar igual a pessoas que modificam a cara e o corpo e mesmo assim, ainda sentem necessidade de passar o blur do facetune em todo o lado é agradável?
Quanto mais vejo esta massificação de caras quadradas e mandíbulas que batem nas ombreiras das portas, mais vontade tenho de não ser "bonita".
Numa nota pessoal, eu nunca tinha olhado duas vezes para o tamanho da minha boca, até que de repente era só sobre isso que se falava, "o tamanho das bocas". Eu comecei a questionar a beleza da minha boca, que devia servir essencialmente para três coisas: comer, falar e beijar e que faz todas essas coisas sendo pequena ou grande.
Que mundo é este onde uma rapariga de 17 anos faz um procedimento estético e de repente as noticias falam sobre isso? De repente, da insegurança de uma rapariga, ergueu-se um culto de beleza sem precedentes. Sabem o que é que isto me lembra? Sobrancelhas.
Todas as adolescentes que nos anos 2000 depilaram as sobrancelhas até só sobrar uma pequena linha a dividir-lhes os olhos da testa. Sabem o que é aconteceu depois? A moda cuspiu no prato que lhe deu de comer e ditou "bushy brows NOW" e a verdade é que as sobrancelhas não nascem só porque nós queremos, por isso o que é que aconteceu? Micropigmentação. O padrão de beleza tira-nos com uma mãe e rouba-nos com a outra. Quando a moda voltar a ser pequenas sobrancelhas, as pessoas que comentaram a loucura de tatuar sobrancelhas ficam como?
Sinceramente o que me deixa triste não é o procedimento estético, é a maneira como as pessoas abdicam dos seus traços únicos para se encaixarem numa caixa passageira.
MAS TAMBÉM...COMO É QUE FICAR COM A CARA QUADRADA É ATRAENT? ?FICA BEM AO PITT PORQUE ELE É BOM COMO O MILHO E BOM...NASCEU ASSIM, MAS AGORA PAGAR ALGUÉM PARA NOS FAZER PARECER UM BONECO DE MINECRAFT?

The toys that made us: Hello Hitty

outubro 26, 2019

Há segredos que carregamos connosco e dos quais, felizmente não restaram muitas provas. Excepto uma ou duas fotos com um colar da Hello Kitty feito com pasta de moldar. Eu fui, durante dois anos completamente obcecada com a Hello Kitty. Não tinha nenhuma mochila porque eram demasiado caras, mas lembro-me da minha prenda de aniversário de 12 anos ter sido um peluche que ainda hoje tenho (foto anexada abaixo). De dossiers a estojos, eu devo ter chorado pela torradeira cor de rosa que nunca cheguei a ter. Por isso, não é de estranhar que esta manhã tenha devorado o episódio "Hello Kitty" da série "The Toys That Made Us".


Em certa altura todos ouvimos que a Hello Kitty era a filha do diabo, ou que era em homenagem a uma rapariga que tinha tido um cancro e perdido a boca... na verdade foi uma homenagem ao sonho de um homem. E foi um sonho bom não se enganem. Como é que um homem que sonha em vender coisas pequenas e fofas,  acaba como o um rei diabólico que comprou a marca a uma senhora com pouco dinheiro? 
Se isso é verdade ou não, o documentário não revela. O que podemos retirar deste documentario (para além de um revival da minha infância) é que a Hello Kitty quase foi extinta...várias vezes. Foi com muita persistência por parte do criador da marca e do pessoal do marketing e das vendas que ela chegou ao ocidente. 
Engolida pela vasta gama de personagens da Sanrio (a empresa que aparece em todos produtos de qualquer boneco mais "kawaii" que compramos), a Hello Kitty encontrou rivais no mundo real e dentro da sua própria casa, e foi só por volta dos anos 2000 que se tornou um ícone pop.
Por exemplo, sabiam que no inicio da sua carreira como personagem de culto, a Hello Kitty foi brutalmente esmagada pelo cão favorito de toda a gente? O Snoppy deu uma tareia à gatinha branca, mas ela não se deixou ficar. Aliás, o criador da Hello Kitty, Shintaro Tsuji foi o primeiro distribuidor de produtos do Snoppy no Japão! Caso para dizer que, quem não tem cão caça com gato, o criador da Sanrio criou uma arma de retaliação maciça. 
O mundo nunca vai ser menos cor de rosa, e tudo por causa de uma gata sem boca e dos seus mais de 50.000 produtos, que a não ser que sejam comprados na primark ou numa loja dos chineses, nos deixam a carteira mais leve.
Embora tenha apreciado saber mais sobre a história deste brinquedo que fez parte da minha infância, devo dizer que o episódio não vai por aí além. Talvez por se concentrar na trajetória de vendas mais do que nos produtos em si. 
Pessoalmente gostaria muito mais de ter visto uma abordagem "fanática" do que, a de duas pseudo- celebridades que adoram a Hello Kitty.
Porque no final do dia, ninguém fala tão apaixonadamente sobre algo, como alguém que lute verdadeiramente para o ter. Eu por exemplo, vou carregar para sempre a imagem da torradeira da Hello Kitty que nunca tive, e essa cicatriz nunca ninguém a vai conseguir apaziguar *introduzir voz dramática*



9 anos depois, o meu presente de aniversário mais querido de sempre






As Aventuras de Sherlock Holmes Opinião

outubro 15, 2019

Sherlock Homes, é um daqueles nomes que pertence ao imaginário coletivo e a verdade, é que mesmo sem nunca termos lido ou visto algo sobre este famoso detetive é como se o conhecêssemos. Tal como Sherlock, todos nós o deduzimos de forma elementar.


Livro: As Aventuras de Sherlock Holmes
Autor:Arthur Conan Doyle
Preço:8,00€ € (na wook
Páginas: 360
ISBN: 9789722520829

Esta minha obsessão, pelo famoso detetive que vive em Baker Street, começou o ano passado. Estava cansada de olhar para o estádio do Sporting no metro, por isso, decidi começar a ler um livro que tinha ganho na feira do livro, fazia uns quatro anos.
A primeira história que li, não foi escrita por Conon Doyle, o verdadeiro pai dos contos, por isso não podia deixar de espreitar os clássicos.
"As Aventuras de Sherlock Holmes" apresenta-nos os primeiros contos publicados em 1892, na revista The Strand, e são rápidos mas incríveis pedaços de lógica e narrativa.
Focados em Holmes e no seu fiel companheiro Watson, o médico aventureiro que também é o "autor" das memórias de Sherlock, somos arrastados para uma Inglaterra sombria onde, de grandes casas Europeias, a deploráveis antros de ópio, estas aventuras se desenrolam. Pessoalmente gostava de dizer que todas as aventuras são fantásticas, mas com uma duração de entre seis a doze páginas, há contos mais aborrecidos que outros, nomeadamente o primeiro.
"Um escândalo na boémia" como é chamado, deixa a desejar para apresentação do livro porque, pura e simplesmente, não há nada a desvendar. Antes, parece uma apresentação erradamente morna do personagem.
Dois dos meus preferidos foram "A liga dos cabeça vermelha" e "Um caso de identidade". O primeiro pela sua verdadeira complexidade e o segundo, pelo motivo mais "elementar"... é que era óbvio, mas ainda assim suscitava dúvidas.
Este livro de contos, é sem dúvida ótimo para as corridas entre pontos do metro e como "mini" pausa naqueles típicos serões, em que a televisão ou o youtube já nos derrotaram. Não é, no entanto, uma boa distração para quem quer ler uma narrativa de forma profunda, já que a rapidez da história destrói a sensação de se "estar bem instalado" na história.

Primo Basílio | Opinião

outubro 01, 2019


Demorei algum tempo a assentar este livro na lista “Potenciais Livros para o Blog”, porque a sensação que tenho, é que muito poucas pessoas estão interessadas em literatura clássica portuguesa. No entanto foi um livro do qual gostei tanto, tanto, tanto que tinha, pelo menos, de escrever sobre ele.


Livro: O Primo Basílio 
Autora:Eça de Queiroz
Preço: 5,28€ € (na wook) em saldos
Páginas: 392
ISBN: 978-972-0-04960-5

Num estilo muito queirosiano, Eça apresenta-nos uma situação incestuosa, o que, em larga medida já é o esperado. 
Este livro, narra-nos a vida burguesa Lisboeta, e nos seus muitos modos de se entreterem, fossem esses entreténs através do adultério, tratar mal a ralé, ou andar de cupè. 
Assim, a história começa por se concentrar na vida do casal, q.b endinheirado, Luísa e Jorge. Embora a sua relação amorosa seja terna isso não impede que Luisa comece um romance com o seu primo que partiu para o Brasil. Surge então, o primo Basilio, de ideias fixas, para tornar Luisa o seu entretem pessoal, na cidade de Lisboa, que ele considera "termendamente enfadonha".
Este romance está cheio de personagens tipo, das quais a mais engraçada (digo engraçada porque é realmente de morrer a rir) é a empregada. 
Juliana, trabalhou toda a vida que nem uma escrava, por isso odeia de morte todas as patroas. A sério, deviam ler as passagens em que Eça descreve o mal que lhes deseja. Há uma parte em que ela diz que ficava felicíssima quando morria alguém, ou haviam dividas impossíveis de pagar.
Como dois mais dois, são quatro, quando o marido de Luísa parte numa viagem a trabalho, e ela se envolve com Basílio, Juliana arranja maneira de monopolizar provas que lhe garantam, segundo ela, um futuro confortável.
Acho que a história, por um lado é um pouco previsível (também pela fama que conquistou) mas não há nada mais bonito, do que ver o plano de toda a gente dar para o torto. O final, uma típica tragédia, deixa-nos com um sorriso maldoso no rosto, porque não há, uma única personagem boa nesta história. Toda a gente tem falhas, cai em tentação, e está cheia dos defeitos mais corriqueiros, da gula, à inveja. É realmente, um final “triste”, mas para rir à gargalhada.
Sinceramente recomendo muito este livro. Se gostaram dos Maias, esta é uma escolha óbvia. Se, por outro lado não gostaram, são bem capazes de gostar deste pelo tom menos sério e mais irónico.

5 Estrelitas 

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