Rupi Kaur: o sol e as suas flores || Opinião

janeiro 23, 2019



Embora já venha uns meses atrasada em relação à Emma Watson, descobri este mês Rupi Kaur, e não, não foi com “Leite e Mel”

Vou apenas dar-vos um contexto, mas eu não gosto de poesia, na verdade aborreço-me, ou aborrecia-me de morte a ler qualquer coisa que não fosse uma narrativa, no entanto estes últimos meses foram interessantes do ponto de vista literário. Sinto que os meus horizontes se abriram um bocadinho mais e dei uma oportunidade aquela que é a voz de uma nova geração literária.

O sol e as suas flores, é um livro pessoal, muito pessoal e é tão profundo que nos permite ter a certeza de algo: somos tão diferentes em todas as camadas que nos tornam únicos, mas tão iguais no nosso âmago. Rupi começa por abordar o fim do seu relacionamento e a forma como o seu corpo e mente reagem a esse término. No entanto, de repente somos obrigados a deixar de a ler a ela, e voltamos os olhos para dentro. Ela leva-nos a refletir sobre quem somos, não para o mundo, mas para nós mesmo.

Mais do que uma viagem de auto-descoberta da autora e francamente muito nossa também, ela acaba por abordar temas que assombram a nossa sociedade, nomeadamente o papel da mulher e a transformação que aterroriza a passagem de menina a mulher, fala-nos do seu contexto familiar, na imigração, da saturação do papel da mãe... um livro escrito por uma mulher, mas que devia ser lido por todos.




A epopeia do 10 years challenge

janeiro 18, 2019




Eu não tinha intenção de escrever este post mas às vezes penso nestas coisas e apetece-me dizê-las.

Esta coisa do “10 years challege” ou do pobre ovo que ganhou a corrida de likes contra a Kylie Jenner... mas porque é que afeta assim tanto as pessoas?

Isto faz-me lembrar a teoria da espiral do silencio que, muito resumidamente funciona assim: A maioria das pessoas tem uma opinião e aquela minoria que não concorda, acaba com duas opções, ou finge que concorda com a maioria ou se cala. Mas eu não me quero calar.

Porque é que eu não posso adorar o facto de o ovo ter a foto com mais likes do mundo? 

Porque é que eu não posso partilhar uma foto engraçada minha de há 10 anos atrás?

I’m no master mind, e claro que me preocupo com o estado do ambiente, mas partilhar as minhas fotos num espaço que por acaso foi feito para isso (o instagram era um espaço de partilha entre fotógrafos, que permitia o formato analógico na fotografia digital) vai mudar exatamente o quê? O meu clique num like de uma foto não vai salvar animal nenhum, não vai acabar com a pobreza do mundo ou com a injustiça que condena a nossa sociedade. Em certos casos ajuda, temos exemplos disso, mas são casos muito pequenos.

Porque é que ninguém condena os seus influencers preferidos quando estes publicam uma foto com o seu nada patrocinado outfit? Porque é que ninguém lhes pergunta por quanto tempo é que tencionam usar aquele casaco antes de fazer um vídeo para o youtube intitulado de “desapegos”?

Porque aquelas são pessoas incríveis, com plataformas incríveis e trabalhos incríveis... e se os acusares de uma cena assim estás a ir contra a maré.

É melhor sentir superioridade em relação aquele colega dos escuteiros ou da primárias que ainda segues, porque vamos ser sinceros... ele não tem 30.000 seguidores.

Vou ser clara, não estou a criticar as influencers e o estilo de vida delas, muito menos as pessoas que colocaram aquelas fotos do ártico a derreter, estou a pedir que estas pessoas com teorias fantásticas reflitam. É necessário tanto furdúncio? Eu preocupo-me com o mundo, com os animais, e tenho consciência de que o caminho que seguimos enquanto humanidade está errado, mas eu não posso apontar isso a ninguém porque eu não sou exemplo. Eu consumo produtos envolvidos em plástico, uso papel indevidamente todos os dias quando recebo um talão, como carne, ando de carro, gasto eletricidade que não vem de uma fonte verde... a lista é infinita. Mas eu tento, tento gerar pequenas mudanças no meu dia-a-dia.

Eu sigo um youtuber chamada “Levi save the world” e o slogan dele é que não é preciso ser-se um herói para salvar o mundo. A mudança vem de ações, não de palavras vazias que constroem correntes nas redes sociais.

Vou dar-vos um exemplo prático na minha vida.

Há um ano vi uma noticia, sobre a quantidade de animais aquáticos que morriam não só com o estomago cheio de plástico, mas em especial com escovas de dentes. E aquilo ficou-me na cabeça. Porque é que os meus dentes andavam a matar tartarugas? Fiz uma pesquisa rápida e percebi que havia maneiras de contornar a situação, que não envolviam eu ficar com caries. Desde aí que não troco de escova de dentes, e não, não está podre. 

Comprei-a no Celeiro, é feita de plástico PLA, e a embalagem é completamente biodegradável e a cabeça da escova é feita sobretudo por matérias renováveis e o melhor, é removível. Então eu não troco a escova, troco a cabeça da escova. Não é perfeito, o composto ainda não é todo completamente reciclável.

Ainda não é a situação perfeita, nem todo o material é biodegradável, mas só o facto de eu não trocar de escova de dois em dois meses é incrível!

E isto é minúsculo (tal como não usar sacos ou beber de uma garrafa de vidro em vez de uma de plástico), mas causa um impacto no meu microcosmo. E é real. Não é uma fotografia para a internet.

ps- Para que fique claro, o problema não é trazer consciência ao estado do planeta, são as razões que despertam essa consciência, como um ovo, ou uma fotografia de quando éramos mais novos.

"Tu" Netflix || Opinião

janeiro 15, 2019


Crédito da foto: Netflix



“Tu” ou “You”, como muitos devem conhecer, é uma das grandes estreias da netflix.


Penn Badgleu, o nosso famoso lonely boy volta para nos assombrar novamente, desta vez na pele de um stalker um tanto quanto perigoso.


O que mais surpreende em Tu, é que somos constantemente estimulados a acompanhar a narrativa, porque ao mesmo tempo que estamos a ver Joe; um tipo certinho e querido a conquistar a rapariga pela qual está apaixonado, somos obrigados a ouvir os seus pensamentos retorcidos.

Beck (o objeto de desejo de Joe) sinceramente não é uma personagem forte, na sua maioria bastante fraca, especialmente nos primeiros episódios fiquei aborrecida só de a ver falar. Para além disso, não consegui gostar dela, é alguém que vive numa bola de preguiça e muito dúbia, ela própria não se conhecesse, o que causa algum embaraço quando a tentamos entender.

Ao longo da série foi impossível não encontrar semelhanças com "The Fall", apenas no sentido do anti-heroi. Paul Spector e Joe são ambos assassinos com muito boa aparência e é muito fácil esquecermos que estão a interpretar vilões. Mais uma vez, uma história que nos distrai facilmente, é o culminar de todas as expetativas de um relacionamento, mas ao contrário. O amor, mas em forma de ódio. A riqueza que se disfarça de pobreza. A beleza que encontra alento na monstruosidade. São tudo extremos, não há um meio termo.

É um mundo maluco aquele para que somos transportados, e o mais assustador é que parece ser o mundo real.

Penn Badgleu é a estrela desta série, consegue fazer-nos focar no rapaz doce que destila açúcar e por momentos, breves momentos quando não o ouvimos pensar, até somos capazes de esquecer o psicopata que ele é.

Uma série viciante, que nos deixa o sabor de mais debaixo da língua, o que pode não ser muito bom analisando bem as circunstâncias.

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