#askmonth 2 || Achas que em certos pontos, Vision poderia ter sido mais realista?

agosto 02, 2018


                          

Às vezes dou por mim a pensar o mesmo. Para mim a escrita tornou-se o meu termómetro de crescimento. Quem era eu o ano passado? Ou quando comecei?

As minhas ideias e expetativas de um relacionamento, ou de uma história mudaram e isso é muito claro com a trajetória de Vision, eu raramente releio da segunda temporada para trás, mas consigo ver-me, em várias etapas da minha adolescência, refletida nas minhas palavras mal escritas e virgulas fora do lugar.

A história em si poderia ter sido mais realista se eu a tivesse escrito com mais maturidade, mais velha. Não escrevi. Aquela foi literalmente a primeira vez que escrevi algo, com quinze e anos e uma vontade enorme de contar uma história épica!

Há algo mágico na minha vontade naquela época, eu não sabia o que estava a fazer. Aquela história era suposto ter uns doze capítulos e de repente vi-me a braços com um mundo que poderia construir. Claro um mundo dramático, bizarro às vezes, cheio de monstros a cada esquina, algo totalmente fora da nossa realidade, mas acho que no fim de cada capitulo toda a gente tinha a sensação de que pelo menos o amor entre a Sophia e o Harry era tão verdadeiro e realista quanto poderia ser, essa é a minha única explicação.

Talvez tenha sido a escrever Vision, que me apercebi que um grande amor conquista e ultrapassa tudo, até erros ortográficos e troca de palavras de lugar, até um dom estranho como ver o futuro e um namoro destrambelhado. Se as pessoas não sentissem amor naquela história, teria sido só mais uma, mas as pessoas apaixonaram-se e deram-me a oportunidade de uma vida se é que lhe posso chamar assim.

Talvez a ideia de ver o futuro um ano depois de ter começado a escrever me tenha parecido demais, e irrealista mas aquilo era o meu material e eu fiz com que resultasse.

Quanto à minha evolução na escrita é o que eu costumo dizer: prática leva à perfeição. Infelizmente ainda dou erros, tenho um problema não diagnosticados, troco as letras e os sons e isso faz-me, quando escrevo rápido, falhar muitas palavras. Mas tento controlar isso, e ao longo dos anos tenho tentando concentrar-me mais.

Espero um dia dominar a escrita com mais perícia, mas sei que escrever no wattpad me ajudou em tudo, na escola por exemplo escrever bem é mais de meio caminho andado.

Two Ways To Lie para mim foi um detox se quisermos, de quase cinco anos de drama em Vision. É uma história mais calma onde me proponho a estudar um triangulo amoroso, algo que em Vision teria sido absolutamente desastroso não só para os leitores como para mim. 

Tentei algumas vezes mas não havia como escrever sobre algo que fosse tão bom como o amor de Soph e Harry, eles era simplesmente perfeitos um para o outro. Em Two Ways To Lie é uma montanha russa de emoções em que o amor verdadeiro está em duas pessoas e é difícil perceber o futuro.

Por isso, para finalizar, sim Vision poderia ter sido mais realista, mas foi fruto de um tempo e espaço especifico e se um dia a editar claro que foi tentar limar essas arestas que ficaram em excesso.

Escrever pode ser entendido como qualquer outra arte. Precisa de aperfeiçoamento e, nem sempre sai bem à primeira.

#askmonth 1 || Podes falar um bocadinho do curso que estás a tirar?

agosto 01, 2018



Eu recebo até bastantes perguntas sobre isto o que é normal, eu mesma, antes de me candidatar à universidade li imenso sobre toda a experiência universitária e consequentemente sobre os cursos.

O meu curso chama-se Ciências da comunicação, e existe em Lisboa na faculdade Nova, se procurarem uma publica. O curso que frequentei antes deste na faculdade de Letras de Lisboa chamava-se Cultura e Comunicação senão me engano, o que é um nome bonito para um curso cheio de disciplinas aleatórias que não te vão dar um conjunto sólido o suficiente em nenhuma área NA MINHA OPINIÃO.

O meu curso, embora diga ser ciências da comunicação, o que eu pessoalmente sinto e, sei que não sou a única, é que somos muito encaminhados para o jornalismo. Temos publicidade, media, economia e gestão, sociologia, e depois algumas disciplinas opcionais. No entanto as disciplinas que mais nos dão créditos são as que estão diretamente ligadas ao jornalismo.

Aquilo que mais senti dificuldade no meu curso foi em saber que direção tomar, embora o acompanhamento seja bem feito pelos professores, chega uma altura em que somos deixados à solta, e nisso há dois caminhos:
- ou o professor te preparou bem para esse momento e só precisas de continuar.
- ou o professor te atirou o trabalho à cara e está à espera que cole como barro na parede.

Aconteceram-me as duas, mas sinceramente, especialmente em disciplinas relacionadas ao jornalismo onde temos de contactar alguém para entrevistar, e preparar uma reportagem é um momento só nosso. Em que precisamos de respirar fundo, entrar em pânico porque conseguir em entrevista quando se tem zero experiência é DIFICIL, e depois esperar que dê certo. Eu tentei contactar a editora da vogue Portuguesa para entrevistar e não deu certo, nem obtive resposta, e depois precisei de ajuda para arranjar alguém porque o prazo estava a apertar. Felizmente consegui. 

Que lição obtive? Eu detesto pedir ajuda, mas senão tivesse pedido nunca ia conseguir. Há sempre alguém que conhece alguém, e não precisa necessariamente ser uma pessoa muito mediática. As melhores entrevistas nem sempre são feitas pelos os entrevistados, mas sim pelos entrevistadores. Para além disso ninguém sai da faculdade com perguntas medíocres, nesse aspeto somos todos muito bem encaminhados e ajudados.

Sinceramente tive muito mais medo da reportagem por ter que falar com várias pessoas, mas acabei por gostar muito mais de fazer a reportagem do que a entrevista, a atenção não está tanto em ti, mas no acontecimento.

Sinto que muita gente acha que por ser tímida não pode dedicar-se a cursos mais direcionados para a comunicação e acho que embora isso seja um entrave, não é uma parede que te impede de continuar.

Eu tive que engolir o nó na garganta e falar alto à frente das pessoas. É horrível da primeira vez que se faz um contacto, a ansiedade consome-nos, no entanto, quando saímos do local, com gravações e bom material o sentimento é de poder.

Eu era tão frágil no inicio do ano, tão fechada em mim e no meu mundo. Depois da minha primeira entrevista senti que podia fazer qualquer coisa. Claro que é sempre duro ter que falar com as pessoas e ás vezes não receber aquilo de que precisávamos, mas só nos podemos arrepender daquilo que não fazemos...bom depende.

O que eu quero dizer é que mal dormir antes da entrevista e estava enjoadíssima. E depois foi um alivio.

Quanto aos testes e exames... eu diria que estudar é importante, muito mesmo. Se eu não estudar torna-se complicado porque pelo menos ali há sempre dois professores a vigiar o que estamos a fazer.

Os professores regra geral dão-nos sempre o material necessário, mas é mesmo preciso estudar. 

Haviam semanas em que eram quase duzentas páginas de leitura. Sei que há quem se safe a ler os resumos de outros anos na véspera, eu mesma numa disciplina na qual senti muita dificuldade e os textos deviam passar em muito as 500 páginas precisei de resumos porque simplesmente não entendia a disciplina. No entanto por exemplo em jornalismo se não fizesse os meus resumos da minha leitura não teria conseguido uma nota tão como a que queria.

É uma questão de colocar as coisas na balança, mas por vezes torna-se muita coisa. Aquela questão de faltar a um dia para colocar o estudo em dia EXISTE! A leitura cresce mais rápido que a minha capacidade de colocar a matéria em dia e é preciso ficar em casa senão na semana seguinte fazemos o exame com metade da matéria estudada.

No fim, embora eu gostasse que o meu curso fosse um pouco menos focado no jornalismo e mais em outras áreas como publicidade e edição de peças (é um exemplo, acho que chegarei lá, mas é só no 3º ano e já nos foi pedido que fizéssemos coisas assim) sinto que estou a ser preparada para algo mais palpável. Claro que só quando estagiar ou for trabalhar é que vou saber até que ponto fui bem preparada, mas até agora sinto que pelo menos obrigada a pisar território desconhecido estou a ser.




Como tudo acaba: Netflix || Opinião

julho 15, 2018




Créditos da foto: Netflix


Recentemente estreou na Netflix um filme chamado “Como tudo acaba”, estrelado por Theo James e Forest Whitaker.

Estava entusiasmada porque há imenso tempo que não via nada do Theo James, no entanto todo o meu entusiasmo foi por água a baixo quando passados 40 minutos de filme percebi que para mim ainda estávamos na introdução.

O filme passa-se naquilo que eu presumo ser um apocalipse na terra. Terramotos, tsunamis, tempestades, avisões a cair. Theo James que no filme é Will, junta-se ao sogro para atravessar o país e encontrar Samantha, a namorada grávida.

Como senão bastasse termos caído de paraquedas numa relação familiar complicada, sentimos que todas as personagens são uma piada de mau gosto, o cumulo da despreocupação com os laços entre o espectador e as vidas ali retratadas. 

Senti-me o filme inteiro como se tivesse entrado no cinema a meio da sessão e ninguém me conseguisse explicar nada. A história não faz sentido nenhum, perde-se em detalhes que nunca são explicados. Estes acontecimento que referi acima; terramotos, tempestades, etc... em vez de servirem como estimulantes ao telespectador só causam um aborrecimento maior pela falta de explicação do que se passa.

Quando finalmente a rapariga é encontrada  e está com um vizinho que a salvou parece novamente que somos arrastados para uma história que começou do fim para o meio.

Não há inícios em “Como tudo acabou”. Talvez essa seja a proposta do filme, mas fica de tal forma um trabalho desarticulado que parece que os produtores, argumentistas, realizadores, todas as pessoas envolvidas fizeram o trabalho em casa e no fim juntaram tudo como num trabalho de secundário. Uma completa confusão que nem bons atores conseguiram salvar.

Só não consigo decidir qual é pior, “Como tudo acaba” ou “Tomorrowland”. Estes são os dois filmes que até hoje considero impossíveis de ver.

Orgulho e Preconceito || Opinião

julho 01, 2018




Existe algo de relaxante em ler clássicos. Já li alguns portugueses, ingleses, americanos... todos tem o toque suave e calmo que caracteriza um tempo menos apressado no que toca à narrativa.

Orgulho e preconceito é o livro ideal para quebrar a pressa a que estamos habituados nos livros de hoje. É um livro que nos testa a paciência e nos faz, tal como a Lizzy, enamorar devagar por Darcy.

Desde que li Mulherzinha que senti que se alguma vez mais precisasse de um livro para me acalmar, deveria escolher um clássico. A minha sede por orgulho e preconceito começou quando a minha mãe se decidiu a ver uma novela da Globo, “Orgulho e paixão”. Uma história “inspirada” no clássico de Jane Austen.
Então, na feira do livro encontrei o livro com uma boa promoção e comprei. 

Ainda estava na faculdade então foi difícil começar, mas todas as noites deixava-me embalar pela narrativa calma de Austen.

Não sei se será apropriado fazer um resumo, mas aquilo que melhor caracteriza o livro são sem dúvida os seus personagens. O enredo é bom, mas as personalidades distintas que Jane é capaz de colocar em duzentas páginas são impressionantes. Observar Lizzy lutar contra a sociedade que recrimina enquanto se encaixa na mesma, e analisar a sua viagem até à descoberta pela verdade de Darcy dá-nos a impressão de que somos parte da sua consciência.

Eliza é mais contida do que na novela que mencionei a cima o que de certa forma me fez querer não ter visto a novela primeiro. No entanto para a época o seu espirito rebelde e forma de ver o mundo choca as pessoas à sua volta. A sua recusa a dois pedidos de casamento é talvez a chave que caracteriza o seu espirito indomável perante uma sociedade cheia de padrões e exigências, onde o casamento era a única saída para uma rapariga de família.

Uma das coisas que me deixou com um sorriso no rosto foi a forma como no fim, a própria Eliza descobre que está apaixonada, porque é tal e qual como eu acho que acontece. Não se dá por nada, de repente só queremos que a pessoa esteja no mesmo espaço que nós, queremos ser alvo das suas atenções e transformamos todos os seus gestos num jogo interno de “mal me quer, bem me quer”.

Darcy é Darcy, percebo agora que muitos dos heróis literários nos romances atuais são inspirados no seu caracter, e que mesmo eu, sem nunca ter lido o livro, fui contagiada por ele na construção dos meus personagens masculinos.

Darcy é aquilo que se procura e desprocura num homem. É como picar um ninho de vespas e esperar que elas não nos piquem de volta. Orgulho e preconceito é um jogo de sedução calmo e sereno que pela sua narrativa lenta nos faz mergulhar num mundo que já não é o nosso.

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