Olá

agosto 03, 2020

Já lá vai um tempo, desde a última vez que escrevi aqui. É estranho porque raramente penso que alguém lê o que escrevo, não sou muito ativa na comunidade de bloggers que ainda escrevem, não encontro em mim a capacidade de pedir ou fazer parecerias com outros blogs e para ser sincera, leio apenas um ou dois, talvez venha dai a péssima veia para isso. 

Mas, de vez em quando salta-me uma mensagem no instagram "tenho atualizado todos os dias, a ver e publicas" e por isso, por essas pessoas que me fazem sempre sorrir, achei que devia vir aqui, falar  escrever um bocadinho. 
É certo que não são muitos os que vão passar por aqui os olhos, mas se fosse eu, desse lado e depois de tudo o que tenho experienciado, ia gostar de ler isto.
Terminei agora a minha licenciatura, passei, aqueles que julgo os melhores três anos de aprendizado da minha vida escolar. Mas durante este terceiro ano, tão caótico, primeiro porque era tudo novo e tão experimental e depois, pela pandemia que nos varreu, senti-me sempre de costas para a praia, a bombalear as pernas de frente para o mar. A onda vinha longe, se quiserem, vinha para lá do Bugio. Mas eu adoro o mar, não lhe resisto, sinto-me sempre tão leve, sendo dramática sinto-me sempre a gravar um filme espacial, onde o meu peso não significa nada. E eu via a onda. A vida foi uma sequência de pequenas ondas das quais me safei bem mas, eu não estava a ver o que vinha a seguir àquela.
Licenciei-me em ciências da comunicação. Fui boa e horrível, ri-me e chorei. Numa boa cena de hollywood, quando fechei a porta do estudio depois do meu primeiro direto a televisão, senti o gelo da porta nas costas e chorei. 
E hoje, depois de vários dias, semanas, que já cá estavam antes de desligar a última chamada de zoom em aula afundei-me na angustia de não saber o que vinha a seguir. Existem cursos, licenciaturas mais naturais que a minha. Existem caminhos mais bem traçados, mas o meu está tão aberto, que deixei a costa lá atrás e estou a tentar, a tentar encontrá-la de novo. 
Ando perdida entre mestrados, estágios, televisões e revistas, ideias excêntricas de ter uma loja online ou publicar um romance. Parto-me em sonhos e desfaço-me em incertezas. Há pouca vida e poucas Saras. Espero revirar-me os olhos daqui a dez anos a ler isto. A Taylor Swift não escreveu um hino para os loucos 22 anos porque sim. Realmente, a ruina, a adrenalina, o amor, a esperança, o medo dançam-nos nas veias. 
Os 22 fizeram-me ficar sozinha, sentada na relva, no meio do parque das nações a pensar em nada, com tudo a correr-me debaixo da pele. 
O medo não me está a dominar, não o sinto, mas é sempre assim, faço-lhe festas quando ainda é pequeno, e de repente, o meu amor alimenta-o com tamanho egoismo que lhe perco o controlo. E coloco tudo em questão.
Sou boa pessoa? Ainda sei escrever? Apaguei-me? Sou boa jornalista? Sei falar bem? Tenho futuro, ou estou condenada a viver para sempre com medo da sombra de uma coisa que ainda não tenho, mas da qual o medo já tomou conta?
Estes, foram pensamentos que tive antes de entrar na faculdade, e talvez os inicios e fins de ciclos sejam isso mesmo, regados de nostalgia por aquilo que um dia, já foi um bicho de sete cabeças. 
Boa sorte, para mim, para nós.

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